O mito da cidade-global: o papel da ideologia na produção do espaço terciário em São Paulo

João Sette Whitaker Ferreira
Arquiteto/urbanista e Economista, Mestre em Ciência Política, Doutor em Urbanismo, Professor-Doutor de Planejamento Urbano da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e pesquisador do Laboratório de Habitação e Assentamentos Humanos da FAUUSP (LabHab).

Este artigo resume as grandes linhas da Tese de Doutorado “São Paulo: o mito da cidade-global”, defendida na FAUUSP, em maio de 2003, sob orientação da Profa. Dra. Ermínia Maricato.

A “cidade-global” vem sendo difundida como o único modelo urbano capaz de garantir a sobrevida das cidades no “novo” contexto da “globalização da economia”. A cidade de São Paulo não foge desse rótulo. Entretanto, os dados empíricos mostram que ela não apresenta nenhum dos atributos típicos da “cidade-global”. Isso não impede que o discurso dominante do pensamento único neoliberal, que tem como paralelos urbanos as teorias da “Cidade-Global”, do “Planejamento Estratégico” e do “Marketing de cidades”, imponha uma visão – mais ideológica do que real – segundo a qual esses modelos seriam as únicas opções de urbanização aceitáveis. Apoiando-se nessa falsa realidade, os empreendedores urbanos da cidade conseguem canalizar os recursos públicos de forma a sustentar a construção de supostas “centralidades globais terciárias”, desviando assim as políticas públicas das prioridades prementes ligadas à uma demanda social cada vez mais dramática. Uma análise mais pormenorizada mostra que a dinâmica de produção do espaço em São Paulo é baseada em coalizões entre as elites urbanas locais e o Poder Público, que não tem nada de “moderna”, e muito menos de “global”, sendo na verdade a expressão urbana das tradicionais e arcaicas relações sociais típicas do “patrimonialismo” brasileiro.

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