Tese de Livre Docência de Beatriz Rufino aprofunda debate sobre infraestruturas e financeirização no Brasil

Está disponível no Repositório da USP a Tese de Livre Docência “Capitalização da metrópole: privatização das infraestruturas na financeirização do espaço“, de Beatriz Rufino, professora da FAU-USP e pesquisadora do LabHab e do INCT Produção da Casa e da Cidade. O trabalho foi defendido em 25 de setembro de 2025 diante de uma banca formada por Eduardo Alberto Cusce Nobre (presidente), Cibele Saliba Rizek, Jeroen Johannes Klink, Saint-Clair Cordeiro da Trindade Junior e Sandra Lencioni.

A pesquisa analisa como a financeirização do espaço, tema amplamente discutido a partir da produção imobiliária, assume novas dimensões quando observada pelas lentes das infraestruturas urbanas. Rufino demonstra que, por meio de diferentes arranjos de privatização, as infraestruturas têm se tornado um elo estratégico entre o capital financeiro global e a urbanização contemporânea, especialmente em países periféricos como o Brasil. Nesses contextos, processos de privatização se entrelaçam a relações patrimoniais históricas, reforçando a renovação do rentismo e suas conexões com o capital financeiro.

Ao recuperar as infraestruturas como categoria teórica da economia política, a autora argumenta que seu estudo permite articular da produção e reprodução social às escalas global e local. A tese sustenta que, a partir da articulação entre grandes empreiteiras e o capital financeiro, a produção e operação das infraestruturas vêm se consolidando como um negócio rentista, no qual a capitalização de rendas futuras torna-se forma dominante de cálculo do valor no espaço urbano.

Organizado em três eixos de pesquisa, o trabalho discute:

  1. O primeiro analisa a emergência de interesses rentistas, a estatização das infraestruturas durante o desenvolvimentismo e as privatizações que consolidaram grandes empreiteiras como proprietárias patrimoniais no período contemporâneo;
  2. O segundo aprofunda a análise da infraestrutura como negócio rentista, tendo como estudo de caso a Companhia de Concessões Rodoviárias (CCR), atual Motiva, e discute os nexos entre renda e capital fictício em um processo específico de financeirização;
  3. Já o terceiro capítulo volta-se para a metrópole de São Paulo, examinando as infraestruturas de circulação, como rodovias e sistemas metroferroviários, e suas relações com a transformação imobiliária.

Ao examinar a produção e apropriação privada dessas infraestruturas e sua articulação com a intensificação imobiliária, a tese apresenta o conceito de capitalização da metrópole, destacando como a acumulação patrimonial se afirma como motor de diferenciação espacial e aprofundamento das desigualdades.

Acesse em: www.teses.usp.br/teses/disponiveis/livredocencia

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